quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Movimento


Que modo estranho de pensar a vida supondo que ela comece pelo fim e termine pelo começo! O blockbuster "O curioso caso de Benjamin Button" tenta responder (e responde) à fatídica pergunta: O que ganharíamos se nascêssemos velhos e morrêssemos jovens?

Nada! Não ganharíamos absolutamente nada. O protagonista ganha e perde as mesmas coisas que perdemos ou ganhamos quando vivemos seguindo a linha natural do tempo. Vivencia o nascimento, a morte, o primeiro amor, os primeiros pêlos, as decepções e alegrias e tudo o mais! A lógica é a seguinte: a ordem dos fatores não altera o resultado.

Visto da perspectiva do plano físico, material e terreno pouco importa a cronologia em que a vida é vivida pois as exatas mesmas situações irão se apresentar. Mas visto de um plano espiritual, etéreo e sutil depreendemos que é o que colhemos destas situações, e principalmente, o que processamos delas que nos definem despertando a consciência de quem somos... de quem queremos ser.

O que vale a pena nesta história é o que vale a pena em qualquer história: perceber o movimento que provoca cada mudança e cada alteração na biografia de alguém. Os momentos azuis que nos tornam quem somos. A falha do filme foi essa: o que poderia fazer com que ele fosse especial , ficou escondido nos cantos mais recônditos das entrelinhas.

Benjamin avistou tantas perspectivas quanto alguém que é verdadeiramente livre pode se permitir avistar. Por sua condição única, acabava sempre por abandonar as zonas de conforto que fazem qualquer um de nós nos acomodar e deixar de ser. Viver de trás pra frente não importa, desde que os limiares das zonas de conforto não se tornem cercas, muros e finalmente barreiras para que a expressão do ser individual deixe de atuar, deixe de buscar, deixe de agir e finalmente de ser.

Mudar de ares, de cenário, mudar de vida é o que faz com que conservemos a juventude. Manter-se aberto e desperto. Não se enrijecer e calcificar dentro de condicionantes criadas por critérios puramente aleatórios e na maioria das vezes infundados é a juventude que podemos ganhar após envelhecer o corpo físico, tendo vivido todos os embates que a vida propõe sem ter se escondido covardemente.

Coletivamente, o exemplo dessa rigidez são os não-lugares criados pelo mainstream capitalista que definem para toda a cultura global conceitos unilaterais etnocêntricos. Afinal, por que aeroportos, shoppings centers, cadeias de grandes redes mundiais de restaurantes e lojas são idênticos em qualquer lugar do planeta? Para que nenhum filho do sistema dominante sinta-se fora de casa, mesmo quando fora de casa está. Principalmente quando fora de casa está! Para que creia na ilusão de que o mundo como ele vê é sua casa e que sua casa está em toda parte.

Esse filme do Benjamin, apesar do vazio que provoca, não faz sucesso só por conta do rostinho bonito do Brad. Mas porque nos aprisionamos na ilusão da passagem do tempo que nosso corpo físico denota ao longo de toda uma biografia.

Eu celebro o fato de tudo ser transitório! Menos a Verdade. Até o blog está de cara nova, só pra comemorar!!!



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