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segunda-feira, 1 de março de 2010

Tic Tac

And you run and you run to catch up with the sun, but it's sinking

O tempo! Tenho pensado sobre ele... mas não pensem que seja uma crise existencial de meia idade antecipada. No rodapé deste blog, está lá a citação do Tolkien: Tudo o que nos cabe é decidir o que fazer com o tempo que nos foi concedido, é a lição mais valiosa que Gandalf ensinou ao hobbit Frodo Bolseiro. Daí fui ao teatro dias atrás, assistir a Alma Imoral, e depois de ficar bem tonta com os labirintos textuais entre os conceitos extremos que Nilton Bonder criou para justificar um nova linguagem que realmente compreenda a natureza humana, guardei a seguinte frase: "E quantos de nossos esforços e sacrifícios são, na verdade, 'oferendas' ao nada?"

Aliás, que fiquei surpreendida durante o espetáculo porque descobri que já tinha citado Bonder aqui no blog, uma historinha de um rabino e um homem rico que encontrei na coluna do Eugenio Mussak, da Vida Simples. Tinha esquecido... guardei a história e deixei o nome do livro e autor totalmente esquecidos... talvez a meia idade esteja chegando mesmo! Anyway, por falar em Eugenio Mussak, no começo do ano ele escreveu sobre a passagem do tempo. E a conclusão dele sobre nossa ansiedade sobre o tema, sobre seu efeito irreversível e sobre nossa insatisfação, eu guardei também. Ele diz: "Nossa paz com o tempo é diretamente proporcional à paz que estabelecemos com nossas escolhas e decisões." O que nos leva de volta ao Tolkien, Gandalf e a epopéia da Terra Média...

Mas eis que hoje recebo um email falando desse geólogo visionário que reúne física quântica e profecias ancestrais para dizer coisas interessantíssimas sobre a inversão do sentido de rotação da Terra e seus pólos magnéticos e como poderemos vivenciar o mundo a partir do ponto zero. O tal cientista chama-se Greg Braden e estuda fenômenos como respostas remotas em tempo real do DNA aos estímulos emocionais. O que prova que tudo na matéria são irradiações da vontade e que há uma energia que conecta a todos. O que isso tem a ver com o tempo?! Em resumo bem leigo, parece que ao nos aproximarmos desse Ponto Zero, o tempo parecerá acelerar-se. E quando finalmente a inversão for consolidada, então tudo o que pensarmos ou desejarmos irá se manifestar muito mais rapidamente. A reciprocidade será sentida de forma imediata e a intenção terá um papel preponderante na vida e relações humanas.

Junte com isso o fato de que "qualquer resultado que possamos imaginar e cada possibilidade que sejamos capazes de conceber, é um aspecto que já está criado e existe no presente como um estado adormecido de possibilidade", e então perceberemos que acessar o invisível à partir de nossas vibrações é trazer para o plano físico algo que já existe em algum outro nível, causando intervenções na matéria. Se isso começar a acontecer de forma imediata, então será fácil perceber as ligações entre causa e efeito e tornar-se consciente delas.

Em física quântica, o conceito de quarta dimensão serve para definir o "eterno agora"; porque passado, presente e futuro não encontram-se mais organizados de forma linear (medidinhos e quantificados pela "inteligência" humana de até então). São aspectos conjuntos de um mesmo instante, uma "tríade temporal" que compõe uma evolução da consciência. Afinal, para sobreviver em tal mundo, conforme configurado por Braden, é fundamental amadurecer individualmente esta consciência espiritual de se saber responsável por suas escolhas e decisões, (já que elas imediatamente manifestam-se na matéria), para sintonizá-las nas freqüências certas. Que o nosso DNA se expanda quando irradiamos amor, alegria e gratidão e que se retraia, apagando códigos de sua sequência, quando sentimos medo ou raiva; é mero detalhe material para uma transformação que já foi prometida há eras atrás, desde dimensões muito além das racionalmente conhecidas.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

All the things come back to you




"A americana
Danah Zohar, física e filósofa pelo MIT – Instituto de Tecnologia de Massachussets e pós-graduada em estudos sobre religião em Harvard, acredita que ninguém, sozinho, será capaz de salvar a humanidade, mas a mudança precisa começar em cada indivíduo de modo que, juntos, ainda possamos criar um mundo diferente. Citando o psicanalista Carl Gustav Jung, ela diz que “se há algo errado com o mundo, é porque algo está errado comigo. Se eu quero endireitar o mundo, preciso endireitar a mim mesmo”. É assim que começa este artigo ótimo no site da Abril, Planeta Sustentável. Eu sugiro a leitura, é só clicar no link do site para visualizar o texto.

De novo, repito que é ótimo ler o que já sabemos para não nos esquecermos. Nós herdamos e construímos uma cultura onde a responsabilidade individual é quase inexistente... Dizemos "se Deus quiser" e não percebemos que com isso transferimos a responsabilidade. Não que não se possa confiar em Deus... Devemos sempre confiar Nele, mas também devemos amarrar nosso camelo...

Bom, Danah Zohar enumera 12 princípios que podem nos ajudar a nos tornar mais responsáveis diante da vida:

1. Usar positivamente as adversidades
2. Ter consciência de si mesmo
3. Ser humilde
4. Praticar a compaixão
5. Assumir um compromisso de valor com as relações
6. Ser espontâneo
7. Ter visão holística
8. Fazer perguntas fundamentais e profundas
9. Reformular de paradigmas
10. Ter habilidade para ir contra a corrente
11. Celebrar a diversidade
12. Ter senso de vocação

De qualquer forma, acredito que já existe uma nova consciência borbulhando dos porões do inconsciente coletivo... Outro dia li, não lembro onde, alguem dizendo que tem certas atitudes que não combinam mais... Não fazem nenhum sentido e portanto vão deixando de ser aceitas. E se pararmos pra observar vemos que é isso mesmo, podemos ver isso acontecer como um mal estar insconsciente ainda que não conseguimos definir direito, mas com certeza percebemos que há uma força nos impulsionando a deixarmos de ser reativos e nos obrigando a nos tornar criativos.

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Desperta

"Tudo o que cabe a nós, é decidir o que fazer com o tempo que nos foi concedido"
Gandalf, o cinzento.

Acho que isso é tudo quanto devemos nos perguntar: o que faremos com o tempo que nos foi concedido? O que estamos fazendo com o tempo que nos foi dado? ... Dificilmente paramos para fazer esta pergunta... Ou frequentemente a fazemos e nos respondemos com alguma ilusão que nos convence. Fatalmente criamos álibis para não fazer o que de fato devemos fazer... Muitos de nós vivemos no modo automático, sem questionar, aceitando o fato de que nossa existência deva ser meramente circunstacial.

Dorothea Brande, uma escritora estadunidense, escreveu Desperta e Vive! na década de 30. Mais um texto maravilhoso que minha mãe me apresentou! Ela, a Dorothea, teoriza sobre nossa Vontade de Falhar. É, na verdade um texto muito óbvio e por isso tão valioso... nos lembra do que escolhemos esquecer. Diz que mesmo para resistir ao movimento inerente à vida, estamos despendendo energia. E se nos concentramos tanto em falhar é admirável a forma como ainda conseguimos nos surpreender quando de fato temos sucesso neste objetivo!

Nos ocupamos com 500 milhões de atividades e a estafa nos alcança como um prêmio que gozamos com orgulho! E que sentido cada uma destas atividades traz para nossa existência?! Queremos saber?! ou apenas procrastinamos para manter a ilusão de que estamos aproveitando bem o tempo que nos foi dado??

São questões duras de se perguntar... ainda mais se perguntamos com seriedade. Implica em decidir a cada passo onde se quer pisar e isso pode doer quando nos habituamos a aceitar cada situação como algo exterior à nossa vontade. Algo de que somos vítimas...

Acho que todas estas são perguntas justas para se fazer, ainda mais no dia do aniversário...

Acredito que estamos aqui pela descoberta... para aprender a desbravar o próprio caminho e é por isso que o mapa de um não pode ser o do outro. Cada um é responsável pelo próprio mapa... deveria ser! Tenho as perguntas e é a busca que desenha o roteiro... Se isto é mais satisfatório do que possuir certezas que te fincam no chão?! inerte?! imóvel?! Talvez não seja tão confortável, mas mesmo parado a energia se esvai...

DESPERTAI, ó seres humanos, desse sono de chumbo! Reconhecei o fardo indigno que carregais e que pesa com uma indizível e tenaz pressão sobre milhões de criaturas. Atirai-o fora! Acaso merece ser carregado? Nem sequer um único segundo!

Que encerra ele? Debulho vazio que se desvanece temeroso ao sopro da Verdade. Desperdiçastes tempo e força em vão. Arrebentai, portanto, as cadeias que vos prendem embaixo, tornai-vos livres, afinal!

Na Luz da Verdade - ABDRUSCHIN


PS: Desculpem-me pela longa ausência do blog. Estaria eu vivendo?

domingo, 14 de junho de 2009

Teenage Wasteland

Há umas semanas atrás eu participei de um evento em que as pessoas tinham que doar/vender/ceder algo que tivesse algum significado para elas e assim vivenciar o desapego... Apesar de o conceito ser bacana, fiquei com a impressão de que muita gente levou coisas que queria apenas descartar, que não simbolizavam realmente nada de especial na vida delas... Anyway, azar o delas... eu fiquei com muito dó, mas resolvi deixar para trás uma coisa que era representativa de uma vida que eu mesma deixara para trás... Isso simbolizaria um ponto final, parágrafo, outra linha na atual fase da minha vida.

Era um DVD do Pearl Jam, minha banda preferida da adolescência ... cujas letras eu sempre sentia como trilha sonora da minha própria existência, pois muitas delas continham pequenos insights que significavam algo para cada fase que eu atravessava e podia facilmente me identificar... Mas acho que isso deve ser daqueles comportamentos sociais arquetípicos e talvez seja o que defina a preferência musical das pessoas pela adolescência e idade adulta afora...

Bom, toda essa introdução melgo-nostálgica é apenas pra dizer que ouvindo nesse exato instante um CD do Pearl Jam {acho que o único deles a que eu nunca havia prestado muita atenção, e que sei lá por quê cargas d'agua me deu vontade de ouvir justo agora} impressionei-me novamente por identificar a recorrente sensação de tratar-se de uma trilha sonora do que sinto no momento atual e que, principalmente, traz mensagens valiosas para esse blog aqui... mas se parecer tietice demais, fiquem a vontade para desconsiderar o post!

Apresento a seguir traduções que sintetizam o conceito geral do que eu acho útil e de conceito análogo ao Kalyug... quem for mais tiete do que eu que procure o verso original dentro do contexto completo de cada canção! Mas, sem querer ser malvada, o que vale mesmo é identificar o cunho espiritual das letras, que discorrem sobre mortalidade, colapso, propósito, velocidade e a mensagem de que quando tudo se dissolve é que nos tornamos livres para crescer... Espero que sintam-se inspirados!

"Você está sempre dizendo que há algo errado, eu vou começar a crer
que você deve estar planejando para que aconteça justamente isso."


"Eu encarei uma vida desperdiçada Oh, eu escapei de uma vida desperdiçada
Tendo provado uma vida desperdiçada Eu não volto lá nunca mais"

"Entre tanta loucura, o pensamento torna-se sonolento e ingênuo. É o mesmo todo dia, e a onda não se parte. Olhando nos olhos de quem caiu, você deve saber que há outro, outro, outro, outro e outro caminho."

"Tem um marcador que ninguém vê por causa da areia que cobriu todas as mensagens que ele guarda. Entendemos tão mal o significado contido na Verdade Original, e o expandimos através da fé, mas não do amor."

"Porque as luzes dessa cidade, só são boas se eu for veloz."

"Por favor, amigo, entenda, eu só preciso de um caminho para casa"

"Por que negar todos os problemas quando combinados com os elos perdidos ... Todos os problemas de repente dão conta do infinito ... Antes que minha luz se apague Enquanto as portas se fecham E tão distante está meu lar ... Desejaria que o mundo pudesse seguir com amor novamente"

"Ousei tentar matar o amor, o pecado mais elevado
Respirando insegurança para fora e para dentro
Buscando a esperança, me foi mostrado como andar na linha
Perseguindo o grandioso caminho para toda a luz humana
...
O que eu escolho sentir é o que eu sou"


Clique aqui para ouvir o preview do album

quarta-feira, 3 de junho de 2009

A alegria é a melhor coisa que existe


Meu pai sempre diz que aquelas pessoas difíceis que são a pedra no nosso sapato, aquelas que nos criam problemas e com quem vivemos em atrito são a esmerilhadeira capaz de polir nossa personalidade, como uma rocha bruta que pode se tornar uma pedra preciosa e brilhante!

Meu pai é mesmo um poeta... e eu sempre me lembro de não esquecer isso que ele sempre diz! Mas hoje mesmo, percebi que falta uma coisa nesse pensamento, uma coisa que acho que ele não disse de propósito. Para que os atritos realmente tenham o poder de esmerilhar nossa personalidade é preciso que façamos essa escolha! A escolha de dizer: Não suporto o fulano, sempre me criando problemas, mas ao invés de reclamar dele vou aproveitar os percalços que ele me proporciona... vou caminhar por eles e sair de lá melhor do que sou!!! E então a esmerilhadeira fica nas mãos do artesão que terá a habilidade verdadeira de transformar a rocha bruta em pedra preciosa e não em um punhado de pó!!!

Acho que Jesus talvez quisesse dizer mais ou menos isso quando aconselhou seus discípulos a amar os inimigos. Hoje, quando nenhuma das estruturas construídas pela humanidade se sustenta muito firmemente, é tão difícil encontrar um norte.... Mas o cultivo de virtudes universais pode ser um guia tão poderoso quanto a própria bússola!

Já falei aqui e aqui sobre como é fundamental decidir-se a ser feliz. O que acontece é que muitas vezes não somos capazes de enxergar que nós mesmos nos boicotamos como diz a matéria de capa dessa revista e, o pior, nos decidimos dia após dia a fazer as escolhas erradas até chegar o dia em que o hábito nos aprisionou para sempre e somos condenados a uma velhice enrijecida (nota de rodapé: não deve ser por acaso que dentre os males que tanto afligem os idosos estejam doenças que tenham a ver com rigidez e mineralização de elementos).

Observo que muitas pessoas estão sempre a reclamar de alguma coisa, quando pergunta-se a elas: E aí, fulano?! Tudo bem? Parece que sentem-se estranhamente impelidas a dizer: "indo...", "mais ou menos", "empurrando com a barriga..." ou limitam-se a um suspiro de frustrado desdém... Afora as protocolares hipocrisias sociais, é preciso estar atento e se alguma vez você deixar escapar alguma dessas respostas medíocres é hora de avaliar se não é o momento de repensar suas escolhas! Afinal, se cada um é responsável pelo próprio caminho, não é possível que tenhamos escohido nos colocar em uma situação que tenhamos que empurrar com a barriga!!!

A não ser que sejamos loucos ou masoquistas!

Em tempo, também é preciso estar atento às reclamações e desabafos alheios... Se este comportamento converte-se em uma constante, com certeza vai transformar-se em um sofrível telefone sem fio que funciona assim: eu reclamo da vida para você, você para o fulano, o fulano para o ciclano e assim sucessivamente até o mundo inteiro achar que a única forma de se viver é reclamando da vida! Quantos paradigmas sociais não devem ter sido criados desta forma?!

Eu escolho ser feliz hoje, e amanhã e depois também. Cada dia é novo e cheio de possibilidades, pode ser que coisas ótimas aconteçam e pode ser que coisas horríveis aconteçam também mas a decisão de ser feliz tem que ser maior que elas e a decisão de empunhar a própria esmerilhadeira é que fará com que sejamos preciosos e brilhantes!!!

terça-feira, 26 de maio de 2009

Nós somos aqueles que esperamos



Os Hopi, são índios americanos do Arizona, e seu nome é uma abreviação de Hopituh Shi-nu-mu, que significa "Povo Pacífico". Este conceito está profundamente enraizado em sua cultura e religião: consideram-se irmãos de todos os povos e não praticam guerras. Ser um hopi significa esforçar-se por atingir um estado de total reverência e respeito por todas as coisas, estar em paz com elas e viver de acordo com as instruções do Criador da Terra.

Organizam-se em clãs matriarcais e tradicionalmente são artesãos talentosos e agricultores de subsistência altamente habilidosos. A trilogia de Godfrey Reggio apresenta títulos extraídos do idioma hopi: Koyaanisqatsi, Powaqqatsi e Naqoyqatsi. Bom, mas o motivo porque estou falando deles hoje é por causa do texto a seguir que encontrei aqui, o texto fala por si e imagino que cada um que o ler será capaz de identificar na própria alma os grandes temas tratados nele.

Você tem dito às pessoas que esta é a décima primeira hora.

Agora você precisa voltar e dizer-lhes: Esta é a hora.

E precisa dizer-lhes que há coisas que precisam considerar:

Onde você está vivendo?

O que está fazendo?

Que relações está mantendo?

Está na relação certa?

Onde está sua água?

Conheça seu jardim.

É tempo de dar voz à sua Verdade.

Criar sua comunidade.

Ser bons uns com os outros.

E não procurar por um líder.

Este pode ser um bom momento.

Existe um rio que flui muito rápido agora.

É tão imenso e veloz que muitos o temerão.

Eles tentarão se agarrar à margem.

Sentirão que estão sendo despedaçados, e sofrerão enormemente.

Saiba que o rio tem um destino.

Os sábios disseram que temos que abandonar a margem, atingir o meio do rio,

manter nossos olhos abertos e nossas cabeças acima da água

Ver quem está lá conosco e celebrar.

Neste momento da História, não podemos deixar que nada atinja nosso lado pessoal.

Muito menos, nós mesmos.

Sempre que o fazemos, nosso crescimento e jornada espiritual ficam estagnados.

O tempo do lobo solitário acabou.

Unam-se!

A palavra "esforço" deve ser banida de sua atitude e de seu vocabulário.

Tudo o que fizermos agora precisa ser feito de maneira sagrada e em celebração.

Nós somos aqueles que estávamos esperando!

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Flores em você


Imagine um homem sensível o suficiente para ouvir o que as flores tinham a dizer e corajoso o suficiente para enfrentar a estreita visão de sua época e divulgar a Verdade do que ouvira...

Imagine um homem que do alto de seus 43 anos, renunciou a tudo o que tinha "construído" até então para viver nesta poética casa inglesa da foto e estabelecer um revolucionário sistema de cura baseado na empatia com a natureza...

É possível que, para muitos, o médico Edward Bach seja apenas um louco que até hoje não tem a mínima relevância no campo da medicina! E parece que temos que concordar, que do modo como a medicina é encarada nos dias atuais é extremamente difícil que a filosofia do Dr. Bach possa encontrar espaço entre tantas práticas radicais e extremas de que muitos lançam mão ao tentar se convencer de que estão cuidando da Saúde.

O próprio conceito "bachiano" de saúde é muito diverso do que estamos habituados a vivenciar até mesmo em nossos próprios discursos e atitudes. E lendo suas palavras (as do Bach) acredito cada vez mais que seja urgentemente saudável despertar para a sensatez de uma consciência pura e verdadeiramente iluminada. Creio que saúde seja tanto uma premissa quanto um presente para quem empreende a busca por esta consciência.

Não acho que tenha mais muito o que escrever a não ser publicar aqui uma coleção de grifos extraídos dos textos do próprio Dr. Bach. :

"A doença serve para nos fazer parar de praticar ações erradas; é o método mais eficaz para harmonizar nossa personalidade com nossa alma. Se não fosse a dor como poderíamos saber que a crueldade fere? ... Na verdade, deveríamos aprender nossas lições no plano mental, salvando-nos do sofrimento físico, mas muitos de nós nao o conseguem. Embora possa parecer cruel de nosso ponto de vista estreito, é na realidade de natureza benéfica. "

"Pudessémos ouvir a voz no nosso Eu Espiritual, vivêssemos nós em harmonia com nossa alma, nenhuma lição severa seria necessária e estaríamos livres de doenças."

"Por exemplo: um paciente tem dor porque há crueldade em sua natureza. Ele pode suprimir tal qualidade dizendo-se constantemente ' eu não serei mais cruel', mas isso significa uma longa e árdua batalha e, se ele conseguir eliminar a crueldade, haverá uma lacuna, um vazio. Esse paciente pode, por outro lado, se concentrar no lado positivo para desenvolver a simpatia e, ao inundar sua natureza com essa virtude, substituir a crueldade por ela sem qualquer esforço tornando seu retorno impossível."


Segundo Bach pôde intuir nem a doença nem a cura pertencem ao âmbito material apenas, a doença é a manifestação física de algo que já ocorria em outro plano.

"A doença do corpo como a conhecemos é um resultado, um produto final, um estágio final de algo muito mais profundo (...) A doença nada mais é do que uma correção; não há nela nada vingativo ou cruel (...) Sempre que cometemos um erro, ele re-age sobre nós, trazendo-nos infelicidade, desconforto ou sofrimento, de acordo com o erro cometido. Seu objetivo é nos ensinar, nos mostrar o efeito prejudicial de nossa ação ou pensamento errado e, ao produzir em nós mesmos resultados semelhantes, nos mostra como tal pensamento ou tal ação pode prejudicar os outros, sendo contrários à Grande Lei do Amor e da Unidade."


"Possivelmente a maior lição de vida a ser aprendida é a liberdade: liberdade com relação às circunstâncias, ao ambiente, a outras personalidades e, para muitos de nós, liberdade em relação a nós mesmos pois, até que sejamos livres, somos incapazes de dar e servir aos nossos irmãos de maneira completa."

Ordem do dia: tentar entender e aplicar estes conceitos no caso da terrível e alarmante gripe suína que assusta o mundo.

+ você pode acessar os textos quase na íntegra procurando por "Terapia Floral - Edward Bach " no Google Books.

terça-feira, 14 de abril de 2009

Viktor finds the meaning...

An advice to sink in slowly poster. By Jane Lauri.

Fiz amigos na blogosphera!!! Amei conhecer as good news da Isabella Lychowski... Ela coleciona histórias, textos, poemas e opiniões que fazem a gente crer que tem muita gente que ainda compartilha o ideal de ver o mundo mais bonito.

Enfim, através da Bella eu descobri esse simpático velhinho de quem nunca antes tinha ouvido falar (que ignorância)... O psiquiatra austríaco Viktor Frankl, que sobreviveu aos campos de concentração da 2ª Guerra, descobriu que para sobreviver às piores condições era necessário se conscientizar de que a vida abarca um sentido.

A coletânea de textos no Good News conta toda a biografia dele, e para resumir (e obrigar os leitores deste post a ler o blog da Bella) gostaria de comentar o contraponto que Frankl apresenta às teorias freudianas que deram o tom do comportamento cultural de toda uma época.

Viktor diz: "No nosso tempo, já não é o sexo que é reprimido, mas o que é espiritual e religioso. Daí, a falta de sentido, de orientação, e, consequentemente, o tédio e o vazio". Achei isso incrivel, pois observo que isto é realmente o que se passa nos dias de hoje.

É como quando a mãe ou vó da gente diz: Você devia frequentar uma igreja... se apegar com Deus... e damos de ombros pensando talvez na hipocrisia de todas as religiões, ou na hipocrisia de seus fiéis, pensando em onde está Deus no meio do caos que o mundo se tornou... Damos de ombros porque afinal não somos mais crianças para acreditar em fantasias confortáveis sobre o Além e sobre conceitos tão intangíveis quanto a espiritualidade. Dizemos: essa mulher está maluca! coitadinha, me empurrando suas crenças fantásticas sobre Deus e religião quando tudo o que existe neste mundo é só o que podemos ver e a ciência pode provar!

Enfim, este paragráfo mostra toda a repressão que existe em torno do espiritual e desta forma, confirma a teoria de Frankl! Mas, por outro lado, também expõe a visão tão limitada que a humanidade construiu acerca de Deus e das religiões. Isso significa que, dado o panorama, os conselhos das familiares maternas de duas gerações são realmente simplórios... Frequentar uma igreja não traz sentido à vida de ninguém... o que traz sentido é uma pura e cristalina convicção na Verdade, e esta convicção é intrínseca ao conceito de liberdade...

Circula na net uma imagem que diz: "Amanhã fico triste... amanhã! Hoje não... hoje fico alegre!E todos os dias por mais amargos que sejam, eu digo: amanhã fico triste, hoje não!". Se essa frase realmente foi encontrada nas paredes de um dormitório infantil em um campo de extermínio nazista, então Viktor teve companheiros em sua determinação em manter a integridade da alma à despeito do que seu corpo sofreria...

Não creio que Frankl defendia os fanáticos religiosos, mas sim aqueles que pudessem confiar que o universo abrange muito mais do que o plano terreno onde habitamos e que pudesse buscar por si os pilares de um caminho reto onde seguir em segurança e tornar-se, o que imagino que Nietzsche queria dizer com o conceito de Übermensch. (Notem que falo o que imagino que ele queria dizer e não a forma como foi interpretado. É preciso colocar algumas ressalvas no texto do link para compreendê-lo corretamente). Ou para simplificar, atingir o dharma! Mesma história, versões diferentes.

Para não tornar o texto viajético demais: Se para Freud a motivação essencial do ser humano era o prazer, para Frankl é a busca de sentido que faz o homem percorrer os caminhos que percorre. E basta observar um pouquinho que percebemos que esta busca não pode ser satisfeita no nível material apenas... O que acontece é que tornamos a vida tão complicada, cheia de tantas necessidades inúteis, que não sobra tempo nem espírito para nos preocuparmos com o que é realmente importante.

Desconfio que Frankl, se ainda vivesse, ia pregar uma vida simples que fizesse sentido para o indíviduo em questão e não que buscasse fazer sentido para a sociedade que o cerca. E a isso não pode estar associado nenhum egoísmo, pois quando se busca com afinco um sentido que o preencha com plenitude só se pode encontrar o Amor... E o verdadeiro sentido deste conceito, contempla a si da mesma forma que contempla o outro em harmônica e profunda simbiose.

Você pode ler mais sobre ele aqui .

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Movimento


Que modo estranho de pensar a vida supondo que ela comece pelo fim e termine pelo começo! O blockbuster "O curioso caso de Benjamin Button" tenta responder (e responde) à fatídica pergunta: O que ganharíamos se nascêssemos velhos e morrêssemos jovens?

Nada! Não ganharíamos absolutamente nada. O protagonista ganha e perde as mesmas coisas que perdemos ou ganhamos quando vivemos seguindo a linha natural do tempo. Vivencia o nascimento, a morte, o primeiro amor, os primeiros pêlos, as decepções e alegrias e tudo o mais! A lógica é a seguinte: a ordem dos fatores não altera o resultado.

Visto da perspectiva do plano físico, material e terreno pouco importa a cronologia em que a vida é vivida pois as exatas mesmas situações irão se apresentar. Mas visto de um plano espiritual, etéreo e sutil depreendemos que é o que colhemos destas situações, e principalmente, o que processamos delas que nos definem despertando a consciência de quem somos... de quem queremos ser.

O que vale a pena nesta história é o que vale a pena em qualquer história: perceber o movimento que provoca cada mudança e cada alteração na biografia de alguém. Os momentos azuis que nos tornam quem somos. A falha do filme foi essa: o que poderia fazer com que ele fosse especial , ficou escondido nos cantos mais recônditos das entrelinhas.

Benjamin avistou tantas perspectivas quanto alguém que é verdadeiramente livre pode se permitir avistar. Por sua condição única, acabava sempre por abandonar as zonas de conforto que fazem qualquer um de nós nos acomodar e deixar de ser. Viver de trás pra frente não importa, desde que os limiares das zonas de conforto não se tornem cercas, muros e finalmente barreiras para que a expressão do ser individual deixe de atuar, deixe de buscar, deixe de agir e finalmente de ser.

Mudar de ares, de cenário, mudar de vida é o que faz com que conservemos a juventude. Manter-se aberto e desperto. Não se enrijecer e calcificar dentro de condicionantes criadas por critérios puramente aleatórios e na maioria das vezes infundados é a juventude que podemos ganhar após envelhecer o corpo físico, tendo vivido todos os embates que a vida propõe sem ter se escondido covardemente.

Coletivamente, o exemplo dessa rigidez são os não-lugares criados pelo mainstream capitalista que definem para toda a cultura global conceitos unilaterais etnocêntricos. Afinal, por que aeroportos, shoppings centers, cadeias de grandes redes mundiais de restaurantes e lojas são idênticos em qualquer lugar do planeta? Para que nenhum filho do sistema dominante sinta-se fora de casa, mesmo quando fora de casa está. Principalmente quando fora de casa está! Para que creia na ilusão de que o mundo como ele vê é sua casa e que sua casa está em toda parte.

Esse filme do Benjamin, apesar do vazio que provoca, não faz sucesso só por conta do rostinho bonito do Brad. Mas porque nos aprisionamos na ilusão da passagem do tempo que nosso corpo físico denota ao longo de toda uma biografia.

Eu celebro o fato de tudo ser transitório! Menos a Verdade. Até o blog está de cara nova, só pra comemorar!!!



segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Você supõe o céu...




Quando não se quer arriscar com palavras é quase mágico encontrar uma música tão poderosa quanto o que se cala dentro da gente e sussurra aquela sensação de que existe uma canção que fala melhor o que a gente gostaria de dizer e não consegue.

É o caso dessa canção do The Who... Na verdade, esse post aqui ainda fala o mesmo que o post anterior. É sobre os sentimentos que eu gostaria que reinassem neste novo ano. O post anterior fala de alegria e esperança como guias. Esse aqui fala sobre amor!

Que o amor reine sobre mim.... sobre nós! Pois só o amor pode fazer chover... Só o amor universal pode nos conduzir, nos fazer acordar para o que está por vir e para o que precisa ser feito. Fui pesquisar a história dessa música e minha suspeita de que ela se parece com uma oração se confirmou: parte da trilha sonora de Quadrophenia, filme baseado no álbum homônimo do mesmo The Who, ambienta o personagem principal Jimmy no contexto de uma crise pessoal. Ele se isola numa pequena ilha e desesperado por não encontrar nada pelo que viver no vazio de sua vida busca redenção espiritual na chuva que o céu derrama!

Eu não assisti ainda, mas com certeza vou. Acho que vale a pena ver a imagem descrita acima e que sintoniza perfeitamente com o atual momento da humanidade... Imagino muitos Jimmies que não encontram nada mais pelo que viver... e a todos que supõem o céu, há que alertá-los de que é preciso coragem e força para sonhar e perceber que a estrada vai além do que se vê!

A própria descrição do Pete Townsend sobre esta música é tão poderosa que arrepia: Em sua crise suicida, Jimmy se rende ao inevitável e quando ela passa e Jimmy tem de voltar para a cidade ele vai enfrentar os mesmos problemas... a mesma m#rd**... Mas ele subiu um nível. Tendo se redimido na chuva derramada simbolicamente como uma benção do Senhor que o banha em seu amor, ele está fortalecido... está "em perigo de amadurecer"!

Enfim, não acham que é tudo o que podemos pedir do ano que se inicia? Que o amor reine sobre nós para que possamos saber o que fazer? Eu tenho certeza que este amor está sendo derramado, só é preciso que cada um encontre uma ilha dentro de si mesmo onde se conectar com esta energia primordial.

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Um jeito Pollyanna de ser...



Neste fim de 2008, ouvimos muito de crise e de como tudo será cada vez mais difícil de agora em diante... Acho triste começar o ano de 2009 vibrando em negatividade. Tem uma citação que diz: "Procure o mal na humanidade esperando encontrá-lo e você certamente achará". Parece que este é o tema no qual a passagem de ano vai estar mergulhada.

Mas eu proponho substituir a palavra "mal" da citação por outra: "Procure o bem na humanidade esperando encontrá-lo e você certamente achará!". Eu proponho começar 2009 com menos críticas e apontar de dedos e mais solidariedade e compaixão.

A teoria é a seguinte, se construímos uma história humana tão feia e sórdida até hoje por constantemente reafirmar palavras/pensamentos/atitudes condenáveis será que não conseguimos construir um futuro melhor se passarmos a afirmar mais amiúde palavras/pensamentos/atitudes mais elevados? mais ideais?

Essa é a premissa da iniciativa Imagens e Vozes da Esperança, que procura convencer profissionais de mídia a atuar como agentes de benefício para a sociedade. Alimentar a mídia de imagens e notícias ruins é o mesmo que alimentar o movimento da engrenagem no sentido errado, o que produz somente mais coisas ruins e feias! Há que se concordar que este "fim dos tempos" nada mais será do que a consciência de que a engrenagem precisa começar a girar no sentido contrário e para tanto, a máquina vai parar, vai soltar um terrível grunhido e vai fazer voar muitos parafusos pelo ar... e aí, quando parecer que quebrou de vez, vai começar a rodar no sentido certo...

Não quero plantar uma esperança ingênua... sei que veremos o impublicável. Assistiremos e participaremos de um futuro que não queremos. Que queremos achar que não merecemos. Mas é necessário confiar que julgamentos amargos são, na verdade, bençãos disfarçadas (como Oscar Wilde bem disse um dia).

Então eu acho que a premissa da IVE não se aplica somente aos profissionais de mídia, mas a todo e qualquer ser humano. É como quando Frodo se queixa de que não gostaria de estar naquela situação em que se encontravam e Gandalf diz "Assim como todos que vivem para ver tempos assim, mas não cabe a eles decidir. Tudo o que temos que decidir é o que faremos com o tempo que nos foi concedido". Se temos que decidir o que fazer com nosso tempo sugiro que a alegria seja um guia na busca desta resposta. A alegria de viver será muito mais útil do que a eterna disposição humana por criticar, se entristecer e se desesperar, por culpar, julgar e condenar qualquer um e nunca a si próprio. É por isso que me refiro à menina Pollyanna e a esta linda canção do Nat King Cole: Sorria quando seu coração estiver dolorido. Sorria mesmo se ele tiver se partido... Sorria, e talvez amanhã o sol brilhe para você!

domingo, 17 de agosto de 2008

A espera


Filhos da Esperança é sobre um futuro onde e quando os seres humanos não podem mais ter filhos, e vivem numa reduzida sociedade condenada, já que colapsos sociais, destruição ambiental e terrorismo ajudam a construir a conjuntura de uma wasteland desesperadora...

Afinal... se não há futuro, conceitos como esperança, compaixão, bondade, justiça continuam fazendo sentido !?

A narrativa aberta desta distopia do diretor Alfonso Cuarón me deixou pensando sobre um dos capítulos contidos no livro A Luz da Verdade. Na dissertação "O mistério do nascimento", Abdruschin mostra que crianças trazem bençãos porque o nascimento delas é uma chance de remição espiritual para aqueles que as cercam.

Os cuidados e educação que crianças necessitam oferecem tantas oportunidades de exercício do amor ao próximo que é por isso que cada nascimento deve ser considerado uma dádiva e uma possibilidade de ascensão.

Associar essa visão ao filme o torna ainda mais especial. Se nenhuma criança nasce nessa sociedade da ficção é porque nenhum daqueles seres humanos merece mais evoluir espiritualmente? Perderam todas chances? Se sim, então esperança, compaixão, bondade, justiça realmente não fazem mais sentido... Mas será que um forte anseio conjunto por estes mesmos conceitos perdidos pode ser poderoso o suficiente para mudar o fim inevitável de tudo?

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Porque eu estou indo para onde eu vou


Dia desses recebi um email contendo antigas profecias maias sobre o fim do mundo em um texto cheio de imagens atemorizantes e purificadoras.

Dia desses fiquei pasmada assistindo uma edição do Lavanderia da MTV em que uma garota repleta de tatoos e modificações corporais extravasava todo seu desprezo pelos seres humanos comuns (leia-se não tatuados e não modificados) ao mesmo tempo em que quase implorava por sua aprovação.

Dia desses li um capítulo de uma simplicidade contundente num livro da década de 90 em que um pai escreve cartas a seu filho sobre vários aspectos da vida masculina que necessitavam reflexão e cuidado no processo de aquele filho tornar-se um homem. Era uma carta sobre espiritualidade.

As profecias maias alertavam para um tempo onde sanções e códigos sociais deixariam de existir e o que pareceria permissividade em excesso ia determinar o modo de cada um julgar a si mesmo e equilibrar seus valores com seu próprio comportamento.

O barraco do programa de televisão soa como um paradoxo se o confrontamos com essa profecia.
A menina escolheu tatuar cada centímetro que tatuou e escolheu mutilar cada centímetro que transformou do próprio corpo. Cobrar a aprovação unânime do restante da sociedade não parece fazer muito sentido. Quem estava lá opinando contra ou a favor também não fazia muito sentido. Porque a real discussão não era acerca de arte corporal, cultura pop ou enquadrar pessoas dentro de paradigmas como descolados e caretas. No fundo, era uma discussão sobre valores arraigados nos espíritos de cada um.

O que leva ao terceiro item da proposição: a lição de espiritualidade que o pai ensina ao filho não era um dogma para que o filho seguisse determinada religião e nem era um código moral que ele desejava ver o filho respeitar. É mais profundo que isso. O autor assume que o cerne de cada religião está ligado à verdade e que cada uma funciona como um instrumento de uma grande orquestra. Cada pessoa toca o instrumento que melhor se encaixa ao seu espírito... O importante era o filho saber que cada religião era um caminho que conduzia ao mar. E que a escolha sobre que caminho seguir era muito pessoal. E que mesmo que nenhum instrumento o tocasse, ele desbravaria seu próprio caminho se acreditasse que o mar estava além. Ele alertou o filho de que também havia quem não escolhia caminho nenhum. Essas pessoas eram como sapos que viviam dentro de poços e que não acreditavam que havia mar.

A poesia da metáfora contida nesse capítulo, o absurdo do paradoxo apresentado no dilema da freakgirl e a atualidade de um dos aspectos de uma profecia da civilização há tempos extinta, surpreendentemente, mostram a mesma coisa. Viver de acordo com a verdade significa encontrar a verdade dentro de si mesmo. E só aí. Significa se comprometer com o caminho que escolhemos e nos sentir felizes e plenos com nossas escolhas, mesmo que não exista parâmetros sociais ou históricos para os pesarmos. O fiel dessa balança só pode ser encontrado no íntimo de cada um.

domingo, 3 de agosto de 2008

Um conto de transformação


clique na imagem para assistir o trailer

O Castelo Animado, desenho japonês baseado na obra da autora inglesa Diana Wynne, é uma história que apresenta insights poderosos sobre busca interior, transformação e reciprocidade em um nível profundo de leitura que faz todo o dogmatismo costumeiro dos contos de fadas soar bobo e leviano.

Sophie é uma jovem tímida e insegura que vive uma vida reclusa e solitária, tomando conta da chapelaria que herdou do pai. O lugar onde mora está na iminência de uma guerra e um incidente faz com que seu caminho se cruze com o do mago Howl, feiticeiro temido por devorar o coração de moças bonitas. O breve encontro desperta a ira da Bruxa das Terras Abandonadas, que transforma Sophie numa velha de 90 anos. A garota não pode contar a ninguém sobre seu feitiço e, por isso, foge indo parar justo no castelo do Howl.

O castelo é mágico e perambula pelo reino protegendo o paradeiro do bruxo, que é bastante poderoso, mas também narcisista e covarde. Neste lugar itinerante também vivem Markl, um garotinho aprendiz de mago e Calcifer, o demônio do fogo que habita a lareira e mantém o castelo em funcionamento... Mais do que resumir o enredo caleidoscópico do filme, o importante é dizer que nesta história nenhuma personagem é o que parece ser. A trama não se estrutura de forma convencional, uma vez que não há protagonistas e antagonistas declarados. Cada personagem lida com as dicotomias presentes em seu próprio interior e é somente quando todos encontram o equilíbrio interno que tudo ao redor se resolve.

É interessante observar essa dinâmica que não reduz as personagens em clichês maniqueístas. A jovem Sophie se transforma em uma velha, mas essa imagem não é nada além do que já estava presente em seu íntimo... fechada em sua loja de chapéus, encerrada em si mesma, protegendo-se da vida... escondendo-se como que em baixo de um chapéu invisível que tapava qualquer possibilidade de contato com a luz do sol (da vida)... Sua coragem só emerge quando ela se reconhece envelhecida, e não é por acaso que ela torna-se uma florista em determinado ponto da trama. O fato parece querer sinalizar ao telespectador que ela está desabrochando para a verdade da sua própria essência.

Aliás, o filme é repleto de imagens simbólicas. Não é de se pensar como algo tão sólido e estruturado quanto um castelo pode se movimentar, fazendo desfilar pelas janelas as paisagens mais diversas?! Isso mostra o quanto a instabilidade tem peso no enredo. Mostra o quanto tudo está em constante transformação... Daria até pra escrever outro post linkando essa idéia com o conceito de destruição criativa de um post anterior, já que é justamente disso que se trata a catarse de cada personagem e a soma delas para a construção do desfecho.

O complexo processo de purificação de cada elemento pontua o contexto do macro universo em que habitam. Assim, a iminência da guerra coincide com a inquietação interior de cada um; a eclosão da guerra, com a luta que cada um se viu obrigado a travar consigo. E é fundamental perceber que o termo da guerra só pôde ser alcançado quando todas as personagens foram capazes de se redimir, o que faz absoluto sentido se notarmos que havia uma estreita ligação entre elas. Apocalíptico, não?!

terça-feira, 29 de julho de 2008

Destruição criativa


"Todo ato de criação é, antes de tudo, um ato de destruição"
Pablo Picasso

Existe um conceito, de que lançaram mão pensadores como Bakunin e Nietzsche, chamado "destruição criativa" que foi amplamente difundido através da visão do economista Joseph Schumpeter acerca do capitalismo. É um conceito econômico poderoso, uma vez que dá conta de explicar muito da dinâmica das transições na indústria que rompe com antigos paradigmas e é fundamento de teorias do crescimento endógeno e da economia evolucionária.

Zzzzzzzzz... Tá, é um papo chatíssimo que quase não interessa a ninguém e, por isso vou cortar o discurso enciclopédico porque acho que já deu pra pegar o espírito da coisa. Aliás está bem sintonizado com o compasso deste mesmo blog; e se você ainda não pegou, a citação do Picasso ali em cima talvez te ilumine...

Se criar é destruir, podemos entender porque é necessário haver uma era de destruição. Aliás , a própria visão cíclica do hinduísmo que conta o tempo universal em eras que se sucedem infinitamente, mostra que Kalyug irá conduzir os homens de volta à era primordial, como está escrito nos puranas:

"Quando os ritos ensinados pelos textos tradicionais e as instituições estabelecidas pela lei estiverem prestes a desaparecer e estiver próximo o termo da idade obscura, uma parte do ser divino existente pela sua própria natureza espiritual segundo o caráter de Brahman, que é o princípio e o fim... descerá sobre a terra...

Sobre a terra, restabelecerá a justiça: e as mentes dos que estiverem vivos no fim da idade obscura despertarão e adquirirão uma transparência cristalina. Os homens assim transformados sob a influência desta época especial constituirão quase uma semente de seres humanos e darão o nascimento a uma raça que seguirá as leis da idade primordial (satya yuga)".

Daí, voltando à perspectiva materialista da discussão, questiono se todo esse discurso de sustentabilidade, responsabilidade social, e etc de que corporações e governos se apropriaram, é legítimo e se realmente pode instaurar uma mudança e contribuir para um mundo novo.

É bom acreditar que sim. Mas é melhor acreditar que uma nova era não vai surgir do exterior para o interior de cada um. É necessário que cada um faça sua faxina interna e destrua o que não serve mais, o que não cabe mais e desperte para uma consciência nova (que na verdade é velha, porque é primordial. É a consciência que perdemos). Considero que assumir uma atitude criativa perante cada instância da vida terrena só é possível se a alma for purificada.

Tem uma frase do Erich Fromm que dá uma dica sobre como as condições para o despertar da criatividade provém do íntimo: "Antes de tudo, é indispensável estar perplexo." É preciso estar pasmo ante à realidade para olhar o que todo mundo vê e enxergar além do que enxergam.

No entanto, perplexidade somente não é o bastante. Se os grandes artistas fossem preguiçosos o suficiente para deixar que suas obras durassem apenas o momento da inspiração, os museus estariam cheios de telas em branco e eu não poderia recorrer a esta imagem para terminar o post querendo dizer que criatividade é só um comichão que sussurra ou grita no ouvido da gente "vai trabalhar"!

domingo, 27 de julho de 2008

Into the wild, man


Bom... não é bem mais uma novidade do cinema, mas como não compactuo com essa cultura do imediatamente descartável, gostaria de registrar aqui minhas impressões sobre a biografia aterradora desse cara que, muito antes do Tyler Durden, rompeu com todos os vícios da sociedade de consumo e rumou para o Alasca sem grana, sem carro e sem nada além de um obsessivo anseio por reencontrar a si mesmo na natureza selvagem.

Christopher McCandless, prole da típica família-anúncio do american way of life, acabara de terminar a faculdade (o que enchera seus pais de orgulho... de si mesmos?!) e justo quando estava pronto para participar da dinâmica materialista do jogo social... (pausa de suspense)... ele virou as costas, desfez-se de suas economias, picotou cartões de crédito, abandonou seu carro e munido de livros sobre a flora local e clássicos de Tolstoi, Thoreau e Jack London; perambulou pelo território americano (até chegar ao Alasca) colecionando ensinamentos e encontros com pessoas cujas vidas transformaram-se irreversivelmente depois de verem-se refletidas na trajetória obstinada do supertramp.

Não vou estragar a surpresa de quem ainda não assistiu (e se você faz parte deles, leia só mais esse parágrafo), mas negar o materialismo da sociedade em que viveu e aceitar que a verdadeira essência do ser reside na natureza, e não em toda parafernália que criamos para evitar o confronto com nosso self original selvagem foi um ato de extrema coragem e desapego para um cara de 22 anos que tinha tudo pra ser mais um boyzinho dos anos 90.

Se você já assistiu não vai se surpreender com o fato de que ele morre no final... completamente solitário e fragilizado pelas vivências extremas que sofreu na tundra. É um final tocante e imagino que conseguiu arrancar lágrimas até do mais frio coração... Espero que sim, porque chorar no fim é um ritual ancestral que deixa registrado na alma de cada um a sabedoria de descobrir que a felicidade só faz sentido quando é compartilhada. E que compartilhar é um gesto de empatia, consideração e amor.

Acredito que se reintegrar à sociedade, tal qual ela se configura, seria impossivelmente frustrante (na falta de uma expressão mais contundente) para McCandless. Não há outro final para ele, senão morrer.

Não há caminho de volta quando se depara com o limiar da Verdade.

sábado, 26 de julho de 2008

Simples


Antídoto para tempos de kalyug: tornar a vida simples, e com trilha sonora!

Segundo Sudha Gupta, diretora geral da Brahma Kumaris no território da antiga União Soviética, existem pelo menos seis aspectos que complicam nossas vidas e todos eles tem a ver com os relacionamentos humanos, familiares, comunitários ou internacionais

Ela diz que cada ser humano encontra-se isolado e que, por isso, enfrentamos graves problemas de comunicação que tornam nossas vidas infelizes e frustrantes. Além de nos comunicarmos pessimamente, o que significa que raramente damos um passo na direção do outro e que ao privilegiar as qualidades negativas de uma pessoa no acervo de nossa memória (ou ao fofocarmos sobre elas para terceiros) acabamos por potencializá-las; também desgastamos muita energia nos prendendo a situações que já aconteceram e desejando posses materiais.

Ou seja, além de sermos ilhas humanas ficamos nos iludindo ou com o passado ou com o futuro. Nunca estamos presentes e talvez, por isso, não conseguimos enxergar porque nossas vidas tornaram-se tão complicadas. Então é só lembrar: "Quanto mais simplicidade, melhor o nascer do dia".