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segunda-feira, 18 de maio de 2009

Voice and failure

Clique na imagem para ver o video


Sumida eu né?! Espero que vocês, meu escasso mas fiel público, não tenham morrido de saudades!

Bom queria compartilhar uma coisa que aconteceu esse fim de semana! Fui fazer um curso de Planejamento, Compra e Gestão de Mídia Online e, apesar de ter um conteúdo bem específico da área, ficaram alguns pensamentos e insights que bem se alinham à filosofia desse blog.

Como por exemplo isso: "Poucas empresas se preocupam em investir e principalmente medir os resultados de suas campanhas. A internet possibilita avaliar em profundidade o consumidor, pois possui ferramentas que dizem como ele encontrou seu anuncio ou site, quando entrou, quanto tempo ficou, o que fez por lá, que horas acessou... enfim, aspectos que a mídia offline jamais poderia contemplar. Essa possibilidade faz com que seja muito fácil criar soluções realmente eficazes de comunicação, mas a pergunta é: temos coragem de medir nossos erros para encontrar o caminho para o acerto?"

E a verdade é que a maioria não tem coragem de olhar para a Verdade!
Transpondo para a vida real do cotidiano... muitas vezes (na maioria delas) não temos coragem de aplicar métricas que nos contem o quão equivocados estamos e que por isso deveríamos mudar o caminho. E assim continuamos equivocados ad infinitum... E acontece que só falhamos para que possamos acertar (que o diga Michael Jordan), e se não temos coragem de medir falhas significa que também não temos coragem de acertar!

Outra pérola do curso: "Vivemos a era da transparência, se temos o poder big brother sobre o consumidor, ele também tem acesso e controle da informação e busca apenas o que lhe interessa" As redes sociais dão voz a quem antes só ouvia... É, com certeza um mundo mudado. E se, por um lado, parece tão horrível viver a distopia do 1984, também é magnífico saber que sua voz importa e que é possível ser ouvido e fazer alguma diferença. Então seria interessante que essa característica nova não se limitasse apenas ao âmbito do consumo mas a tantas outras instâncias. E para isso há que se ser um sujeito profundo e há que se buscar conhecimento. Há que se buscar a verdade para fincar na alma, convicções claras e genuínas.

Por falar em voz, queria também compartilhar a tocante campanha da ONU que foi apresentada no workshop. O desafio deles era: em tempos de paz, como convencer as pessoas de que é necessário continuar contribuindo? A ação, veiculada na Australia, que integra mídias on/offline consiste em diversos posters "falantes" com rostos anônimos que, com o apelo "Ouça-me", incentiva as pessoas a fotografar com o celular a boca daquelas rostos e enviar como mensagem de texto para um número impresso no cartaz. Através de tecnologia de reconhecimento de imagem, a pessoa logo recebe uma ligação em que aquele rosto conta sua historia. O teaser era: "Pela primeira vez, mídia impressa que fala" e o mote da campanha é "Dando voz a todos".

United Nations 'Voices' from The Hyperfactory on Vimeo.


Nesse video você pode ver como a campanha impactou os australianos e de simples publicidade, tornou-se um meio de interação que faz com que as pessoas possam se tornar menos egoístas, nem que seja por um instante, dando ouvidos a histórias de outras pessoas. Pessoas que ninguém nunca quer ouvir, pois afinal são retratos de fracassos sociais! E se não temos coragem de ouvir nossos fracassos...

E aqui vc pode ver o hotsite da campanha e ouvir todas as histórias e, inclusive, gravar a sua própria! Se é que ela é assim mesmo tão dramática...

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Flores em você


Imagine um homem sensível o suficiente para ouvir o que as flores tinham a dizer e corajoso o suficiente para enfrentar a estreita visão de sua época e divulgar a Verdade do que ouvira...

Imagine um homem que do alto de seus 43 anos, renunciou a tudo o que tinha "construído" até então para viver nesta poética casa inglesa da foto e estabelecer um revolucionário sistema de cura baseado na empatia com a natureza...

É possível que, para muitos, o médico Edward Bach seja apenas um louco que até hoje não tem a mínima relevância no campo da medicina! E parece que temos que concordar, que do modo como a medicina é encarada nos dias atuais é extremamente difícil que a filosofia do Dr. Bach possa encontrar espaço entre tantas práticas radicais e extremas de que muitos lançam mão ao tentar se convencer de que estão cuidando da Saúde.

O próprio conceito "bachiano" de saúde é muito diverso do que estamos habituados a vivenciar até mesmo em nossos próprios discursos e atitudes. E lendo suas palavras (as do Bach) acredito cada vez mais que seja urgentemente saudável despertar para a sensatez de uma consciência pura e verdadeiramente iluminada. Creio que saúde seja tanto uma premissa quanto um presente para quem empreende a busca por esta consciência.

Não acho que tenha mais muito o que escrever a não ser publicar aqui uma coleção de grifos extraídos dos textos do próprio Dr. Bach. :

"A doença serve para nos fazer parar de praticar ações erradas; é o método mais eficaz para harmonizar nossa personalidade com nossa alma. Se não fosse a dor como poderíamos saber que a crueldade fere? ... Na verdade, deveríamos aprender nossas lições no plano mental, salvando-nos do sofrimento físico, mas muitos de nós nao o conseguem. Embora possa parecer cruel de nosso ponto de vista estreito, é na realidade de natureza benéfica. "

"Pudessémos ouvir a voz no nosso Eu Espiritual, vivêssemos nós em harmonia com nossa alma, nenhuma lição severa seria necessária e estaríamos livres de doenças."

"Por exemplo: um paciente tem dor porque há crueldade em sua natureza. Ele pode suprimir tal qualidade dizendo-se constantemente ' eu não serei mais cruel', mas isso significa uma longa e árdua batalha e, se ele conseguir eliminar a crueldade, haverá uma lacuna, um vazio. Esse paciente pode, por outro lado, se concentrar no lado positivo para desenvolver a simpatia e, ao inundar sua natureza com essa virtude, substituir a crueldade por ela sem qualquer esforço tornando seu retorno impossível."


Segundo Bach pôde intuir nem a doença nem a cura pertencem ao âmbito material apenas, a doença é a manifestação física de algo que já ocorria em outro plano.

"A doença do corpo como a conhecemos é um resultado, um produto final, um estágio final de algo muito mais profundo (...) A doença nada mais é do que uma correção; não há nela nada vingativo ou cruel (...) Sempre que cometemos um erro, ele re-age sobre nós, trazendo-nos infelicidade, desconforto ou sofrimento, de acordo com o erro cometido. Seu objetivo é nos ensinar, nos mostrar o efeito prejudicial de nossa ação ou pensamento errado e, ao produzir em nós mesmos resultados semelhantes, nos mostra como tal pensamento ou tal ação pode prejudicar os outros, sendo contrários à Grande Lei do Amor e da Unidade."


"Possivelmente a maior lição de vida a ser aprendida é a liberdade: liberdade com relação às circunstâncias, ao ambiente, a outras personalidades e, para muitos de nós, liberdade em relação a nós mesmos pois, até que sejamos livres, somos incapazes de dar e servir aos nossos irmãos de maneira completa."

Ordem do dia: tentar entender e aplicar estes conceitos no caso da terrível e alarmante gripe suína que assusta o mundo.

+ você pode acessar os textos quase na íntegra procurando por "Terapia Floral - Edward Bach " no Google Books.

terça-feira, 14 de abril de 2009

Viktor finds the meaning...

An advice to sink in slowly poster. By Jane Lauri.

Fiz amigos na blogosphera!!! Amei conhecer as good news da Isabella Lychowski... Ela coleciona histórias, textos, poemas e opiniões que fazem a gente crer que tem muita gente que ainda compartilha o ideal de ver o mundo mais bonito.

Enfim, através da Bella eu descobri esse simpático velhinho de quem nunca antes tinha ouvido falar (que ignorância)... O psiquiatra austríaco Viktor Frankl, que sobreviveu aos campos de concentração da 2ª Guerra, descobriu que para sobreviver às piores condições era necessário se conscientizar de que a vida abarca um sentido.

A coletânea de textos no Good News conta toda a biografia dele, e para resumir (e obrigar os leitores deste post a ler o blog da Bella) gostaria de comentar o contraponto que Frankl apresenta às teorias freudianas que deram o tom do comportamento cultural de toda uma época.

Viktor diz: "No nosso tempo, já não é o sexo que é reprimido, mas o que é espiritual e religioso. Daí, a falta de sentido, de orientação, e, consequentemente, o tédio e o vazio". Achei isso incrivel, pois observo que isto é realmente o que se passa nos dias de hoje.

É como quando a mãe ou vó da gente diz: Você devia frequentar uma igreja... se apegar com Deus... e damos de ombros pensando talvez na hipocrisia de todas as religiões, ou na hipocrisia de seus fiéis, pensando em onde está Deus no meio do caos que o mundo se tornou... Damos de ombros porque afinal não somos mais crianças para acreditar em fantasias confortáveis sobre o Além e sobre conceitos tão intangíveis quanto a espiritualidade. Dizemos: essa mulher está maluca! coitadinha, me empurrando suas crenças fantásticas sobre Deus e religião quando tudo o que existe neste mundo é só o que podemos ver e a ciência pode provar!

Enfim, este paragráfo mostra toda a repressão que existe em torno do espiritual e desta forma, confirma a teoria de Frankl! Mas, por outro lado, também expõe a visão tão limitada que a humanidade construiu acerca de Deus e das religiões. Isso significa que, dado o panorama, os conselhos das familiares maternas de duas gerações são realmente simplórios... Frequentar uma igreja não traz sentido à vida de ninguém... o que traz sentido é uma pura e cristalina convicção na Verdade, e esta convicção é intrínseca ao conceito de liberdade...

Circula na net uma imagem que diz: "Amanhã fico triste... amanhã! Hoje não... hoje fico alegre!E todos os dias por mais amargos que sejam, eu digo: amanhã fico triste, hoje não!". Se essa frase realmente foi encontrada nas paredes de um dormitório infantil em um campo de extermínio nazista, então Viktor teve companheiros em sua determinação em manter a integridade da alma à despeito do que seu corpo sofreria...

Não creio que Frankl defendia os fanáticos religiosos, mas sim aqueles que pudessem confiar que o universo abrange muito mais do que o plano terreno onde habitamos e que pudesse buscar por si os pilares de um caminho reto onde seguir em segurança e tornar-se, o que imagino que Nietzsche queria dizer com o conceito de Übermensch. (Notem que falo o que imagino que ele queria dizer e não a forma como foi interpretado. É preciso colocar algumas ressalvas no texto do link para compreendê-lo corretamente). Ou para simplificar, atingir o dharma! Mesma história, versões diferentes.

Para não tornar o texto viajético demais: Se para Freud a motivação essencial do ser humano era o prazer, para Frankl é a busca de sentido que faz o homem percorrer os caminhos que percorre. E basta observar um pouquinho que percebemos que esta busca não pode ser satisfeita no nível material apenas... O que acontece é que tornamos a vida tão complicada, cheia de tantas necessidades inúteis, que não sobra tempo nem espírito para nos preocuparmos com o que é realmente importante.

Desconfio que Frankl, se ainda vivesse, ia pregar uma vida simples que fizesse sentido para o indíviduo em questão e não que buscasse fazer sentido para a sociedade que o cerca. E a isso não pode estar associado nenhum egoísmo, pois quando se busca com afinco um sentido que o preencha com plenitude só se pode encontrar o Amor... E o verdadeiro sentido deste conceito, contempla a si da mesma forma que contempla o outro em harmônica e profunda simbiose.

Você pode ler mais sobre ele aqui .

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Movimento


Que modo estranho de pensar a vida supondo que ela comece pelo fim e termine pelo começo! O blockbuster "O curioso caso de Benjamin Button" tenta responder (e responde) à fatídica pergunta: O que ganharíamos se nascêssemos velhos e morrêssemos jovens?

Nada! Não ganharíamos absolutamente nada. O protagonista ganha e perde as mesmas coisas que perdemos ou ganhamos quando vivemos seguindo a linha natural do tempo. Vivencia o nascimento, a morte, o primeiro amor, os primeiros pêlos, as decepções e alegrias e tudo o mais! A lógica é a seguinte: a ordem dos fatores não altera o resultado.

Visto da perspectiva do plano físico, material e terreno pouco importa a cronologia em que a vida é vivida pois as exatas mesmas situações irão se apresentar. Mas visto de um plano espiritual, etéreo e sutil depreendemos que é o que colhemos destas situações, e principalmente, o que processamos delas que nos definem despertando a consciência de quem somos... de quem queremos ser.

O que vale a pena nesta história é o que vale a pena em qualquer história: perceber o movimento que provoca cada mudança e cada alteração na biografia de alguém. Os momentos azuis que nos tornam quem somos. A falha do filme foi essa: o que poderia fazer com que ele fosse especial , ficou escondido nos cantos mais recônditos das entrelinhas.

Benjamin avistou tantas perspectivas quanto alguém que é verdadeiramente livre pode se permitir avistar. Por sua condição única, acabava sempre por abandonar as zonas de conforto que fazem qualquer um de nós nos acomodar e deixar de ser. Viver de trás pra frente não importa, desde que os limiares das zonas de conforto não se tornem cercas, muros e finalmente barreiras para que a expressão do ser individual deixe de atuar, deixe de buscar, deixe de agir e finalmente de ser.

Mudar de ares, de cenário, mudar de vida é o que faz com que conservemos a juventude. Manter-se aberto e desperto. Não se enrijecer e calcificar dentro de condicionantes criadas por critérios puramente aleatórios e na maioria das vezes infundados é a juventude que podemos ganhar após envelhecer o corpo físico, tendo vivido todos os embates que a vida propõe sem ter se escondido covardemente.

Coletivamente, o exemplo dessa rigidez são os não-lugares criados pelo mainstream capitalista que definem para toda a cultura global conceitos unilaterais etnocêntricos. Afinal, por que aeroportos, shoppings centers, cadeias de grandes redes mundiais de restaurantes e lojas são idênticos em qualquer lugar do planeta? Para que nenhum filho do sistema dominante sinta-se fora de casa, mesmo quando fora de casa está. Principalmente quando fora de casa está! Para que creia na ilusão de que o mundo como ele vê é sua casa e que sua casa está em toda parte.

Esse filme do Benjamin, apesar do vazio que provoca, não faz sucesso só por conta do rostinho bonito do Brad. Mas porque nos aprisionamos na ilusão da passagem do tempo que nosso corpo físico denota ao longo de toda uma biografia.

Eu celebro o fato de tudo ser transitório! Menos a Verdade. Até o blog está de cara nova, só pra comemorar!!!



quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

El Che

Esse é um post que venho ensaiando há um tempo... Assisti ao trailer do filme/biografia Che (e não vejo a hora de assistir ao filme), de Steven Soderbergh que traz Benicio del Toro no papel do grande revolucionário romântico que acreditava ser possível endurecer sem jamais perder a ternura. E uma das coisas que me intrigaram foi justamente isso: para Che a mais importante qualidade que um revolucionário deve possuir é o amor. Amor pela humanidade, pela justiça e pela verdade. No entanto, ele é tido por muitos como assassino cruel e um psicopata covarde (segundo uma carta de um leitor indignado da Revista Superinteressante... aliás toda a seção de cartas em que publicaram as opiniões referentes à edição de janeiro é tão arrebatadoramente polêmica que apresenta visões extremas e acaloradas sobre o médico argentino que se tornou mito), então onde está o amor?

Acho dificil julgar a luta de um homem que se fundamenta no amor em seu mais puro sentido e que colocou a própria vida à disposição de um povo que nem era o seu. Acho dificil ter uma opinião extrema sobre um homem que era isso: um homem. Não acredito que o objetivo de sua luta era tornar-se um herói ou mito perante a sociedade. Quem cria heróis ou mitos são os governos e as próprias pessoas telespectadoras que legitimam essas vozes. Aliás, no mesmo trailer, uma jornalista pergunta à Guevara: "Como você se sente sendo um símbolo?" e ele responde "Símbolo do que?". E aí o trailer acaba.

E aí é que começa: Símbolo do que? é a pergunta ponto de partida para se descobrir quem foi Che. Mas a verdade é que quem ele foi não é mais tão importante quanto saber quem ele é. Ou senão, não teria mais relevância falar sobre ele agora que o socialismo ruiu. Não continuamos a falar dele porque ainda queremos acreditar no socialismo, continuamos a falar dele porque queremos descobrir o que há para aprender sobre o homem que ele ainda é. Que sentido ainda faz nos dias de hoje.

A chave para isso não está no julgamento que podemos fazer das ações de Che naquele passado em que viveu. Afinal o que sabemos daquele passado vem intermediado por tantas vozes que nada mais poderá se apresentar claro e transparente. No trailer ele diz: "Para sobreviver aqui e para triunfar, é preciso viver como se já estivesse morto". Quanto se pode entender dessa afirmação?! Como se vive como se já estivesse morto? Eu acredito que só quem pode responder é o próprio Che. Em seu contexto suas escolhas eram a patria ou a morte. Em nosso contexto é possível que tenhamos muitas outras escolhas. Então é preciso entender que se revolucionários são guiados pelo amor à humanidade, Che foi prisioneiro de uma condição muito triste. Pois tudo o que sabia fazer era lutar por justiça. Por isso que foi um político incompetente e por isso morreu da forma horrível como morreu. Era romântico porque acreditava que podia lutar por liberdade e entregar um mundo mais justo para milhares de pessoas. Não via que a mudança se faz no interior de cada um. Que é preciso que cada um mude para que tudo ao redor mude.

O mundo que ele via habitava somente em seus olhos e não nos olhos dos outros. E não é possível transformar o mundo se todos não o enxergam modificado! Che permitiu que o amor puro que sentia o guiasse, talvez tenha se deixado cegar pelo que seu coração mostrava. Não poderia ter vivido de outra forma. E no entanto, as pessoas teimam em querer guardá-lo ou na gaveta do bonzinho ou na do malvado. Por que não percebem que o que realmente importa é ver que ele teve coragem de deixar que um ideal guiasse sua caminhada pela vida? E que se cada um seguisse um ideal grandioso por sua vez, os olhos de todos poderiam contemplar um mundo verdadeiramente modificado.